Em casa, observava a enorme trilha que saía do seu açucareiro e terminava em algum ponto que se perdia no quintal.
Pensou: Com um único movimento eu posso acabar com isso tudo.
No avião, observava a paisagem pela janela .
Pensou: Formigas.
Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
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Terça-feira, 12 de Maio de 2009
Pinóquio
A caixinha chegou pelo correio. De: Papai. Para: Vinícius. Em um segundo, o embrulho multicolorido e cheio de laços foi todo rasgado. O menino abriu a caixa e tirou dela um boneco de madeira com nariz enorme. Sacudiu o brinquedo, que tinha as partes unidas apenas por uma corda elástica e fez com que dançasse no ar. De repente, disse jogando-o no chão:
- Boneco mentiroso!
A mãe recolheu o boneco e sorrindo disse que era mentiroso só na história. Que era uma graça o Pinóquio e que ele não devia fazer desfeita, afinal, se o papai tinha mandado um presente é porque gostava muito do filho. Vinícius manteve o siso, mas tomou o boneco e o levou para o quarto.
No dia seguinte, como sempre, Vinícius chegou do colégio e sentou no sofá ao lado da mesa do telefone. Ao invés de ligar a TV, dessa vez ficou brincando com o boneco. De quando em quando fitava o telefone. Depois de uma hora ou duas, quando a mãe o chamou para jantar, ele quebrou um dos braços do boneco e o guardou.
No dia seguinte, repetiu a cena. Desta vez, por fim, quebrou uma das pernas. E assim sucederam-se os dias. Vinícius chegava do colégio, sentava ao lado do telefone e ao final de algumas horas, quebrava um pedaço do boneco. Passado algum tempo, a mãe encontrou apenas pedacinhos de madeira jogados ao lado do telefone. Chamou o menino e, em tom severo perguntou por que ele havia destruído o boneco daquele jeito. Que era muito, muito feio um menino agir daquela forma. Ao que Vinícius respondeu aos gritos:
- Quebrei porque ele é mentiroso, entendeu? Men-ti-ro-so!
- Boneco mentiroso!
A mãe recolheu o boneco e sorrindo disse que era mentiroso só na história. Que era uma graça o Pinóquio e que ele não devia fazer desfeita, afinal, se o papai tinha mandado um presente é porque gostava muito do filho. Vinícius manteve o siso, mas tomou o boneco e o levou para o quarto.
No dia seguinte, como sempre, Vinícius chegou do colégio e sentou no sofá ao lado da mesa do telefone. Ao invés de ligar a TV, dessa vez ficou brincando com o boneco. De quando em quando fitava o telefone. Depois de uma hora ou duas, quando a mãe o chamou para jantar, ele quebrou um dos braços do boneco e o guardou.
No dia seguinte, repetiu a cena. Desta vez, por fim, quebrou uma das pernas. E assim sucederam-se os dias. Vinícius chegava do colégio, sentava ao lado do telefone e ao final de algumas horas, quebrava um pedaço do boneco. Passado algum tempo, a mãe encontrou apenas pedacinhos de madeira jogados ao lado do telefone. Chamou o menino e, em tom severo perguntou por que ele havia destruído o boneco daquele jeito. Que era muito, muito feio um menino agir daquela forma. Ao que Vinícius respondeu aos gritos:
- Quebrei porque ele é mentiroso, entendeu? Men-ti-ro-so!
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Quarta-feira, 29 de Abril de 2009
Quase
Ela olhou e desviou. Ele olhou e fingiu trocar a estação do rádio. A sinaleira abriu e eles não se casaram.
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Domingo, 12 de Abril de 2009
O lenço
São quinze para as seis da manhã e vou para a academia a pé - os quatrocentos e cinquenta reais não incluem passagem. Fico lá, mudo, das sete às três da tarde, sem intervalo. Aperto o passo porque se o lugar não estiver brilhando até os primeiros alunos chegarem, é demissão na certa. Está clareando o dia e a cidade começa os seus primeiros movimentos. Minha distração é interrompida por um estouro.
Uma senhora está no chão e seus embrulhos espalhados pela calçada. Corro até ela, enquanto tateio o bolso da calça. Ela levanta o rosto, de onde sangue lhe escorre de um corte aberto na sobrancelha. Encontro o lenço. Mas o semblante da mulher me assusta. Não pelo sangue, mas pela expressão de dor acostumada. A queda lhe parece natural. Seus olhos de auto-piedade contida não pedem ajuda, ou consideração. Não há um mísero suspiro que alivie a raiva do acidente. Seus gritos são mudos.
Começo a tirar o lenço do bolso. Lenço que não limpará a sujeira que ela sente por dentro, nem a deixará mais digna, ou menos infeliz. Mas quem sabe limpe a expressão que me tortura, a vontade que tenho de sair correndo. Por que este corpo inerte me aponta assim? Queria que o lenço amenizasse ao menos as cicatrizes internas. Enxugasse o sofrimento. Tornasse a vida menos oca. Ela sentindo que me importo, ainda que não me importe realmente.
Seria bom se, como uma dama antiga, essa mulher tivesse jogado o lenço ao vento e eu por cortesia o devolvesse. Mas ela não pede cortesia. E o que jogou ao chão foi o corpo inteiro. Como matéria cansada de existir. Deixou-se tropeçar, levando joelhos e ombros a encontrarem o cimento cru, até que sua cabeça golpeasse a pedra. Seu braço tem agora carimbada a textura da laje. O sangue adentra as rugas que lhe acrescentam anos.
Enquanto tiro o lenço do bolso, me pergunto quem é essa mulher. Por que se deixa cair? Por que não levanta e não pragueja a pedra que a derrubou? Por que não age? Que ao menos chorasse, criatura sem útero!
Termino de tirar o lenço do bolso. A mulher levanta-se sozinha, com dificuldade apressada. Enquanto ela junta os pacotes, a encaro. A blusa rasgada na altura do peito, os joelhos em carne viva, o rosto de bicho. Meio masculino, talvez. Causa-me raiva, nojo, repulsa. Pergunto se ela está bem e sigo. No caminho, não posso evitar o uso do lenço. Esfrego-o nos meus olhos, na testa, nas mãos, nos braços, nos joelhos. Guardo-o e consigo chegar ainda pontualmente ao trabalho.
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Domingo, 29 de Março de 2009
A caixa
Acharam que era bomba. A bomba guerra. A guerra o fim do mundo.
Correram, desesperaram-se, mataram-se.
O gato morreu de fome.
Correram, desesperaram-se, mataram-se.
O gato morreu de fome.
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Segunda-feira, 23 de Março de 2009
Sábado, 21 de Março de 2009
Recado II - O Retorno
Buenas. Eu disse que a pausa no blog tinha data para acabar. Disse também que, talvez, viesse a ser uma data a comemorar. Pois bem, na tal data, houve não exatamente uma comemoração, mas o que se encaixaria melhor, quem sabe, dentro dos termos "correr pelada pela rua dançando a macarena às gargalhadas enquanto distribui notas de 100 reais".
Sim, eu passei. Yey! Quanto ao pequeno atraso no cumprimento da volta, culpo as palavras, que neste terreno ficcional jamais devem ser tomadas como verdade.
Grande abraço a todos... os 2, ou 3 leitores!
Sim, eu passei. Yey! Quanto ao pequeno atraso no cumprimento da volta, culpo as palavras, que neste terreno ficcional jamais devem ser tomadas como verdade.
Grande abraço a todos... os 2, ou 3 leitores!
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